20 de jan. de 2008

Governo anuncia “processo de desaceleração” das negociações salariais com professores de 1º e 2º graus

O governo Lula não cumpriu o compromisso assumido anteriormente de apresentar sua proposta de recomposição salarial e plano de carreira para os docentes de 1º e 2º grau das Instituições Federais de Ensino Superior - IFES, na reunião realizada com as representações sindicais docentes, na sexta-feira (18).

Alegando problemas de caixa ocasionados pelo fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF, os representantes do Ministério do Planejamento, – MP anunciaram um “processo de desaceleração” das negociações com a categoria.

O governo pediu às entidades que aguardem a nova proposta de calendário de negociação, a ser apresentada no próximo dia 8 de fevereiro. Após solicitação dos representantes do ANDES-SN, o governo assumiu o compromisso de encaminhar às representações docentes, até o próximo dia 22, o esboço da proposta de carreira para os docentes de 1º e 2º graus.

O 3º vice-presidente do ANDES-SN, Almir Serra Martins Filho, manifestou a indignação dos docentes, afirmando que sua base não aceita a justificativa alardeada pelo governo de que o fim da CPMF comprometa a recomposição salarial dos docentes.

“Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A CPMF foi criada para atender à saúde e, embora seus propósitos tenham sido desvirtuados ao longo do tempo, o imposto jamais fora utilizado para quitar ou reajustar a folha de pagamento dos docentes”, afirma o dirigente sindical.

Almir reitera que o conjunto de tabelas que materializam a pauta salarial defendida pela base do ANDES-SN foi protocolada no governo desde julho de 2007 e, até o momento, nenhuma contraproposta foi apresentada pelo governo.

De acordo com o 2º vice-presidente do ANDES-SN, Agostinho B. Macedo Beghelli Filho, o governo fixou o dia 11 de março como data referência para o fim das negociações com os representantes dos docentes de 1º e 2º grau das IFES.

Ensino superior
Os representantes do ANDES-SN aproveitaram a reunião para cobrar do governo a apresentação dos cálculos do impacto financeiro da proposta salarial feita à categoria.

Segundo Almir, os representantes do MPOG alegaram que a divulgação desses valores não é praxe no governo, mas se comprometeram a discutir o assunto com a equipe econômica e, posteriormente, apresentar uma resposta aos representantes docentes.

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